quarta-feira, 18 de julho de 2007

Como contei aos meus pais (sem os matar)

Primeiro do que tudo, tenho que pedir desculpas pelas minhas escassas postagens e comentarios. A verdade é que consulto com frequência este e outros espaços de pessoas que nos escrevem coisas simpáticas, mas não tenho muito tempo para escrever!
A outra questão são os erros ortográficos que possam aparecer... por que eu, de facto, sou estrangeira e, embora dedicada à aprendizagem da vossa lingua, nem de longe a domino, assim tenho que contar com a vossa tolerância!!!
Enfim, a Açucena e eu ja moravamos juntas há algúm tempo quando decidimos comprar casa juntas; porque éramos felices, queriamos dar um paso, e como a nossa casa começava a ficar pequena, era o momento ideal.
Então apareceu a questão:Como eu, emigrada, sem familia por perto, nem namorado conhecido, ia dizer aos meus pais que comprava casa cá?A questão de ser junto com a Açucena também era um problema, embora os meus pais se relacionavam perfeitamente com "a minha amiga e colega de casa,que tão simpaticamente acolheu a sua filha estrangeira".
Assim, numa das viagens de férias para casa, levei 7 horas de carro a pensar como havia de fazer, tinha que começar do zero; disse à Açucena que se tivesse coragem ia contar de nós aos meus pais e ela concordou...a viagem foi uma porcaria, tudo seja dito, e quando estacionei o carro à porta, nem sequer tinha nada decidido, mas entrei, comprimentei os meus pais, tiramos as malas do carro e sentamo-nos, como sempre quando chego, no sofa da sala a conversar.
Bem, a minha mãe falava, eu cá não ouvia nada,só aquela idéia fixa na cabeça até que de repente, sem sequer pensar, explodi e disse: A Açucena e eu somos um casal.
Pronto, a seguir, desatei-me a chorar desalmadamente, nem sei porque(devia eu querer fazer jogo psicologico), se o que eu tinha na minha vida era só felicidade, devia ser stress. A minha mãe também chorou, o meu pai abriu muito os olhos e só depois de um grande bocado, me abraçou e me disse que so queria que eu fosse feliz...pois, como nos filmes rasca, telenovela brasileira, um drama.
Quando o meu iramão chegou a casa encontrou a cena da mesma maneira,tudo a chorar baba e rainho, o rapaz até pensou que tivesse morrido alguém, coitado, fui falar com ele e quando lhe contei ele disse que ja sabia, e pronto,com ele foi sempre fácil.
E pronto, depois posso contar, só para compartilhar com vocês aquilo que se pode chamar a minha saida do armário(embora eu nao dei conta de me ter enfiado em armario algum), correu francamente bem, na altura não achei. Disse a minha mãe que podia contar a quem quissesse, se achava que falar lhe trazia algum beneficio, e ela mandou-me(a mim, nao ela) falar com uma amiga dela, psicologa, que conheço desde sempre, onde tive uma das conversas mais simples e sinceiras e onde voltei a chorar, claro, por tudo e por nada.
Agora não estou nada arrependida, contei e compartilhei a minha felicidade com a minha familia, eles aceitaram como conseguiram, a Açucena faz parte do meu dia a dia nas conversas telefonicas com a minha mãe, ela faz parte da minha familia, só há um senão...
Um senão pequeno, que eu estacionei e ao qual não ligo muito, que nos as duas ja falamos ser pouco importante mas que existe:nunca mais se falou em nós como casal.
Para toda a gente somos nos, juntas, mas sempre as amigas, as colegas...a minha mãe nunca me perguntou como é que nos estamos, como casal, na vossa vida...e pronto, faz-se-de-conta, eles lá, nós por cá...eu contei, e não os matei, ainda ha de vir o tempo que consigamos falar sem palavras sobreentendidas, ou frases inacabadas!isso espero eu, que se calhar sou muito exigente e que, afinal até tive muita sorte da reação de todas as pessoas à minha volta...
Bem, afinal ficou aqui um grande palavreado!Um beijo a todas, vou dormir!

4 comentários:

Carla O. disse...

Well, às vezes as pessoas lidam com as coisas através da negação... e nem sempre está mal isso. É a única forma que encontram de ir "encaixando" tudo o que não AINDA não compreendem... e a partir do momento em que, de certa forma, aceitam a realidade, em que não lhe colocam entraves - em que respeitam as decisões -; há que lhes dar espaço para tal. Para fazerem de conta. Espaço e tempo... mesmo que o tempo pareça infindo. :)

O teu português é muito bom, muito - mas muito - melhor do que o de alguns nativos. Por isso, não te coíbas de escrever. Cá a gente gosta de vos ler. :)

Beijos às duas.

DUCA disse...

Margarita

O teu português é muito melhor que o meu "portunhol" e do de muitos portugueses.

Fizeste bem e tal como diz a Carla O. agora é dar espaço à tua família para que encaixem. Lembra-te sempre que os nossos pais nos amam incondicionalmente e se somos ou fazemos coisas que eles não compreendem e que podem fazê-los até reagir mal, mais tarde ou mais cedo eles acabam por nos aceitar como somos.
Pelo que contas os teus pais até reagiram bem e merecem o teu amor e carinho. És uma mulher de sorte.

Beijo

Anônimo disse...

Ia comentar quando reparei que no final do post, a Açucena diz :"Um beijo a todAs, vou dormir!".

Saio de fininho sem dizer ai nem ui.

:)

Nina disse...

Margarita, Não te apoquentes com o facto de a tua família não se referir a vós enquanto casal. Eu conheço a sensação. Acho que se deve a uma dificuldade de "encaixe". Eles sabem, incluem a Açucena nas conversas, porque ela faz parte da tua vida, mas continuam a referir-se a ela como a tua amiga. Acho que isso vai passando com o tempo.
Quanto ao português: um espectáculo! Escreve sempre :)